A China que estou vendo – por Sérgio Kodato

Author: fradique  //  Category: Literatura

Em três artigos tentarei mostrar ao leitor as impressões que estou tendo da China nesta viagem de estudos feita com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e da FFCLRP da USP. Apreciarei e muito que os leitores façam comentários no blog formulando questões sobre a China que vive uma situação “sui generis” pois continua comunista na organização social e altamente capitalista na sua economia.

Beijing, capital da China tem uma história de 3000 anos e congrega monumentos históricos famosos, bastante visitados, lado a lado com gigantescos arranha-céus, modernos shopping-centers, imensos condomínios residenciais, centenas de fábricas e uma vasta periferia, onde se vê muita sujeira, cachorros abandonados, mas não se vê indigentes, alcoólatras ou crianças famintas e pedintes.

Minha experiência na China foi surpreendente desde o início: desembarcando no aeroporto de Beijing, ao trocar dólares por yuans, na proporção de um para sete, percebi que a valorização da moeda americana em relação à local, tornava tudo bem barato, para o nosso poder aquisitivo. Para se ter uma idéia, convertendo para o real, a passagem de ônibus custa 30 centavos; o metrô: R$0,60; taxi em trajeto longo: R$10,00; uma refeição num restaurante bom: R$10,00; uma calça jeans: R$20,00; um blusão de nylon acolchoado R$25,00; um blusão de couro de grife: R$150,00; apartamento individual num hotel bom: R$60,00. Se na Europa 200 euros são gastos em 2 a 3 dias, aqui na China eles se transformam em 2000 yuans, que cobrem tranqüilamente gastos de duas semanas. Além disso o pessoal do hotel em que havia feito a reserva, foi me buscar no aeroporto, evitando transtornos de demorar a achar o local, ainda mais num local estranho, em que não lia e nem falava o idioma local; correndo o risco de ficar rodando de táxi pela cidade. A receptividade do pessoal do hotel era uma pequena amostra da amabilidade do povo chinês; nunca vi tanta gente de boa índole, educada e bem humorada em toda a minha vida.

Pelo menos aqui em Pequim não há roubos ou violência nas ruas, ninguém bate a carteira de ninguém, ninguém fica mexendo com as mulheres gratuitamente, não há alcoólatras ou crianças pedintes, não há discriminação de espécie alguma. Muito pelo contrário, o que vigora aqui é a cordialidade e solidariedade nas relações sociais. No metrô se vaga um lugar para sentar, as pessoas te avisam. Se esquece alguma coisa em um estabelecimento, eles vem correndo atrás te chamar. Se você se confunde com as notas e dá menos dinheiro para pagar uma conta, te corrigem e dão risada. São muito espontâneos e sorridentes. Demorei uns quinze dias para me curar da paranóia que corre solta no Brasil. Ficava fantasiando que o pessoal do hotel poderia roubar meu computador, que poderiam clonar meu cartão de crédito, que o chá que oferecem nas lojas e shoppings poderia conter algum sonífero ou droga, mas relaxando foi possível usufruir e se divertir nessa bela cultura milenar. A malandragem aqui não corre solta como no nosso país.

Sérgio Kodato é Professor Doutor da USP – FFCLRP

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Tags: 3000 anos, beijing, china, chinês, cultura, cultura milenar, fapesp, ffclrp, história, milenar, monumentos históricos, organização social, oriente, povo, sérgio kodato, usp

2 Responses to “A China que estou vendo – por Sérgio Kodato”

  1. Dulce Ana Says:

    Onde estão os outros dois artigos sobre: A China que estou vendo.

    Gostaria de receber mais informações sobre esta viagem, a meu ver…fantática. Principalmente, por ser objeto de estudos de Sérgio Kodato.

    Gostaria, também, de saber a opinião de Kodato quanto ao que se pode fazer em relação a violência no Brasil, de posse das informações coletadas nesta viagem à China e Japão.

    Dulce Ana

  2. Fabiano Says:

    e onde encontro os outros dois artigos?

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