Saiba o que é a Matrix Profissional

No ano passado publiquei um artigo explicando de forma detalhada a Matrix do amor romântico, que é um tipo falso de amor idealizado e carnal onde o apego existe devido a uma projeção do ego (lembrando que este tipo de amor ilusório e egoísta nada tem a ver com o amor espiritual, esse sim verdadeiro e altruísta). Na conclusão do mesmo artigo comentei que existem outros tipos de Matrix e exemplifiquei descrevendo brevemente a Matrix Profissional no último parágrafo:

“Também devemos lembrar que a Matrix não ofusca o homem apenas nos relacionamentos, mas em tudo na vida, incluindo estudos e trabalho. Um exemplo da “Matrix profissional” é a tal meta comum hoje de muitos homens que desejam apenas se formar para prestar um concurso público ou começar a trabalhar o quanto antes para comprar uma casa, se casar e ter filhos e passar o resto da vida se matando em um emprego que odeia por um salário medíocre onde sua capacidade não é valorizada e tudo o que resta são os fins de semana assistindo os programas chatos e imbecis de domingo dos canais abertos. A “matrix profissional” impede o homem de tentar criar algo novo, de se aventurar no mundo dos negócios, de tentar abrir sua própria empresa. O trabalhador matrixiano se amarra fortemente na ilusão da segurança de um trabalho com carteira assinada e passa o resto da vida sem se livrar das amarras, preso com suas asas cortadas dentro de uma gaiola, invejando os que são livres para alçar vôo e alcançar o céu.”

Neste artigo pretendo falar um pouco mais sobre a Matrix Profissional e aproveitar para tentar explicar e fazer uma análise reflexiva sobre os fatores psicossociais que prendem o homem à mesma, além de expor algumas teorias pessoais que mostram uma ligação entre a Matrix Profissional e os interesses de uma elite globalista.

A Matrix Profissional e a Teoria do Desenvolvimento Psicossocial

Antes de continuar, devemos entender a Teoria do Desenvolvimento Psicossocial de Erik Erikson, que explica que o desenvolvimento psicológico do indíviduo não ocorre ao acaso, mas sim atráves de estágios e fases, além depender da interação entre o indivíduo e o meio. Ainda segundo o autor, o indivíduo passa por diversos estágios em sua vida, sendo que no quinto estágio, marcado pelo período da adolescência, o indíviduo adquire uma identidade psicossocial.

Podemos dizer resumidamente que o desenvolvimento da Matrix Profissional no indivíduo ocorre do quarto, onde ela começa a ser criada, ao sexto estágio, onde ela já se encontra consolidada e passa por processos de manutenção e, em alguns casos, reinvenção:

  • Quarto estágio – Indústria/Inferioridade: Decorre na pré-adolescência (6 aos 12 anos), onde a criança sente-se competente ao perceber-se como pessoa de produzir. Neste estágio a criança deve ser capaz de se sentir incluída em seu meio social principal, a escola. Este é um momento de novos relacionamentos interpessoais importantes. Questão chave: “Serei competente ou incompetente?”
  • Quinto estágio – Identidade/Confusão de identidade: Marca o período da adolescência. Neste estágio, onde uma identidade psicossocial é finalmente adquirida, é necessário ao adolescente o entendimento de seu papel no mundo. Ele já tem consciência de sua singularidade. Os elementos de identidade previamente adquiridos passam por uma reformulação, que é a chamada crise da adolescência. Questão chave: “Quem sou eu?”
  • Sexto estágio – Intimidade/Isolamento: Este estágio ocorre aproximadamente emtre os 20 e os 35 anos. Sua tarefa essencial é o estabelecimento de relações íntimas duradouras com outros indivíduos, sejam elas amorosas ou de amizade. Questão chave: “Deverei partilhar a minha vida ou viverei sozinho?”

Observando atentamente estes três estágios, podemos perceber como os mesmos influenciam na formação da Matrix Profissional no indivíduo. Durante a pré-adolescência, a criança se sente importante por sua capacidade de produzir. Começa a ser criada uma ligação inconsciente entre trabalho, maturidade e importância social. A necessidade de aceitação pelo aseu meio reforça ainda mais o desenvolvimento desta ligação.

Já na adolescência, ao passar por uma conscientização de sua singularidade, alguns conceitos do indivíduo passam por reformlações. A necessidade de aceitação continua e se torna mais consciente. Isso reforça ainda mais sua busca por independência e relevância social. Mais uma vez a Matrix Profissional é reforçada, já a mesma transmite ao indivíduo as ilusões de independência e relevância social.

Finalmente, na fase adulta de sua vida, sentindo a necessidade de estabelecer relações pessoais, o indivíduo mais uma vez reforça a ligação de suas necessidades com o trabalho. Como ser aceito socialmente sem dinheiro, sem um bom carro, sem uma carreira respeitada pelas pessoas?

Mas o desenvolvimento psicossocial não é o único fator que desenvolve a Matrix Profissional. É até mesmo incorreta a suposição de que estes estágios são em si os responsáveis pela associação insconsciente que o indivíduo faz entre o profissional e suas necessidades. O que ocorre realmente é um redirecionamento imposto pelo senso comum.

Observe a sociedade. Perceba as conversas das pessoas, suas próprias conversas com familiares, amigos e colegas. Preste atenção nas mensagens da mídia. Tudo é TRABALHO. Em saídas com amigos, reuniões e eventos familiares, conversas entre marido e mulher ou entre pais filhos ou qualquer outro tipo de interação social, as pessoas invariavelmente tocam neste assunto. A Matrix Profissional é tão ou até mais forte do que a Matrix do amor passional (sem contar que atinge tanto homens quanto mulheres).

Isso ocorre devido ao poder de seus “argumentos” ilusórios sobre sucesso e independência. As pessoas realmente acreditam nos discursos clichês da Matrix Profissional. Frases clichê como “o trabalho dignifica” e “não se recusa trabalho nenhum” atola ainda mais os individuos nesta perigosa Matrix.

Como algo pode dignificar um indivíduo se o escraviza não somente em corpo, mas também em alma e espírito? A verdadeira dinâmica da Matrix Profissional se resume em se desfazer da liberdade, da intelectualidade, da família e até mesmo da saúde para enriquecer o dono de uma empresa que provavelmente nem sabe que você existe.

O maior problema da Matrix Profissional, além da ilusão criada em torno da mesma, é o tempo. É um atendado contra a vida humana forçar o indivíduo a passar a maior parte de sua vida fechado em uma empresa, fazendo o trabalho dos outros, negligenciando seu próprio desenvolvimento pessoal, seu intelecto, sua saúde. Ele se torna escravo e nunca cresce. Fica preso em um círculo vicioso. Não se desenvolve intelectualmente ou profissionalmente, não lidera, não toma decisões, apenas segue ordens, repete os mesmos procedimentos dia após dia. Por mais boas idéias e ânimo que tenha para tentar investir em seus projetos pessoais, seu tempo livre é tão curto e seu desgaste físico e mental durante o trabalho é tão grande, que ele dificilmente consegue se focar em seus interesses. Com o tempo ele simplesmente vai desistindo, deixando para trás seus interesses pessoais e apenas sobrevivendo, empurrando a própria vida com a barriga. É como um leão selvagem, grande e agressivo que é capturado e enjaulado. Com o tempo o brilho em seu olhar morre, todo aquele instinto morre e ele se torna simplesmente um bichinho decorativo de um zoológico, sempre deitado em estado vegetativo.

A educação e a produção de peões em escala industrial

Em 2008 escrevi em meu outro blog (Terramel.org) um pequeno texto sobre a alienação feita pelo sistema educacional do país. O título do artigo é “Falta de Visão das Faculdades é o que Afeta o Brasileiro“. Na época em que o escrevi, minhas opiniões acerca destes assuntos ainda estavam se formando. Apesar de já conhecer a Alegoria da Caverna de Platão, não havia ainda percebido claramente sua relação com o sistema atual que vivemos. Ainda assim, não mudaria nada no texto original. Vejo-o como um complemento para este, já que o mesmo é focado nas faculdades de tecnologia do país. Segue um trecho:

“Durante meus anos de estudante universitário venho percebendo a insistência que vários professores tem no tal “Mercado de Trabalho“. Com o tempo isso acaba passando para grande parte dos alunos. O problema é que esse termo acaba servindo como uma venda para os alunos e acaba afetando o país antes mesmo deles se tornarem profissionais. Qual o maior problema no tal mercado? É que justamente por martelarem tanto nos jovens o termo “Mercado de Trabalho”, esses jovens acabam vestindo uma viseira, assim como os cavalos e burros de carga que com essa viseira só conseguem enxergar uma única direção.”

Para os leitores mais esclarecidos, esta análise feita no início do artigo é mais do que óbvia. No último parágrafo do mesmo artigo concluo baseado em minha experiência acadêmica:

“Os professores insistem nos programas de “cadastro de clientes” como se fossem a única coisa que o mercado quer, enquanto muitos alunos, acreditando cegamente em seus professores, acabam perdendo o interesse de criar coisas interessantes como redes sociais, novos modelos de negócios, jogos ou qualquer outro tipo de software ou site que não tenha a ver com o cadastro de alguma coisa para alguma empresa”.

Apesar de correta a análise, na época eu ainda não era capaz de perceber o motivo dessa insistência dos professores na educação voltada ao mercado. Hoje percebo que ela está atrelada à Matrix Profissional. Não que a culpa seja dos professores, pois obviamente muitos não fazem isso conscientemente, mas sim porque acreditam que este modelo é o melhor para seus alunos. Mas não é. Por mais que o número de brasileiros com curso superior tenha crescido nos últimos anos, não somos uma potencia tecnológica. Pior ainda, somos um país que não desenvolve nada, não cria nada de novo. Não temos nem mesmo a capacidade de imitar outras tecnologias. Por mais ofensivo que isso possa parecer para alguns ufanistas, não somos nem mesmo capazes de produzir uma simples calculadora.

O brasileiro, infelizmente, já é um povo incapaz de planejar a longo prazo. Aliás, a simples necessidade de planejamento de qualquer tipo, mesmo à curto prazo, já é mais do que suficiente para deixar o brasileiro capengando. Essa falha se extende até as altas hierarquias acadêmicas. Cursos, grades curriculares, ementas, tudo desde o primário até o curso superior, é planejado com base no imediatismo. Junte essa incapacidade cultural de planejamento do brasileiro com a Matrix Profissional e terá uma fórmula ainda mais perigosa e destrutiva. O círculo vicioso da Matrix Profissional é potencializado de forma absurda.

Todo o modelo educacional é uma ilusão. A educação e o conhecimento são irrelevantes neste modelo. Aprendemos a ler e escrever para podermos aprender da forma mais porca possível matérias como gramática, literatura, física, química, biologia, matemática e outras somente para podermos prestar o vestibular e entrar em uma faculdade para passarmos mais uns 4 anos de nossas vidas sofrendo a lavagem cerebral necessária para nos tornar engrenagens pequenas e irrelevantes de uma complexa máquina.

As escolas e as faculdades não estimulam o aprendizado, não ensinam o prazer do conhecimento. Tudo o que fazem é incentivar o aluno a decorar. Decorar para poder passar em vestibulares, concursos ou entrevistas de emprego. Se você tem o entendimento, você é capaz de criar. Se você apenas decora o processo, você se torna um simples peão incapaz de criar, mas perfeitamente apto a repetir os mesmos procedimentos pelo resto de sua vida.

Infelizmente isso é um erro.

Não devemos deixar que ilusões impostas pelo senso comum nos prenda à uma vida medíocre. “Abra suas asas e voe para longe!”

O Matrixiano Profissional e A Metamorfose de Kafka

Analisando sob uma ótica filosófica, podemos traçar um paralelo entre a Matrix Profissional e “A Metamorfose” de Franz Kafka, onde o personagem principal, Gregor Samsom, após despertar de uma noite de sonhos inquietantes, vê-se transformado em um gigantesco inseto. Mesmo após sua surreal transformação, sua única preocupação fica focada em seu emprego e suas contas. O absurdo dessa transformação em si é uma crítica escancarada às ilusões que prendem o matrixiano profissional. Tamanho é o apego do personagem à estas ilusões que o mesmo ignora a própria condição física da metamorfose. Ou seja, sua obsessão pelo trabalho é tão grande que ele ignora até mesmo a própria saúde.

Como pode um homem, ao se deparar com uma transformação tão surreal, colocar seu trabalho acima de sua própria saúde? Mas é justamente isso o que acontece com o indivíduo hoje. Ele relega à útimo plano sua vida pessoal, sua família e, até mesmo, sua própria saúde. Temos vários exemplos reais de indivíduos precisando urgentemente fazer exames e tratamentos, mas que adiam devido ao trabalho. No passado era normal isso acontecer por necessidades financeiras, mas hoje isso acontece devido ao ego carreirista e a uma fidelidade canina com a empresa. Isso por si só já é prova suficiente da existência da Matrix Profissional.

“Eu não tenho auto-estima, acho que estou me transformando em um inseto…”

Megalomania, psicopatia e RH

Você já deve ter ouvido a frase “Ninguém é insubstituível”. De todas as falácias usadas para prender o homem à Matrix Profissional esta é provavelmente a mais famosa. Podemos vê-la não apenas nas empresas, como também nas faculdades e, é claro, nas palestras ministradas pelos tão famosos empresários, executivos e palestrantes motivacionais. Conhecemos a figura. Geralmente um homenzinho arrogante e pedante, engravatado e quem sabe com uma malinha na mão que enche a boca para falar palavras como “mercado de trabalho”, estufando o peito como um pombo e provavelmente pensando que é o próprio Roberto Justus. Também pode ser do sexo feminino. Geralmente uma modernete carreirista com tendências a misturar palavras de ordem feminista em seus discursos “motivacionais”, pose de mulher independente e tão acostumada com seus sapatos de salto alto que provavelmente seria incapaz de dar 10 passos descalça sem levar um tombo.

O maior perigo nessas palestras é que elas podem ser monstruosamente envolventes. Admito que muitos anos atrás, quando vi pela primeira vez a palestra do Daniel Godri, me peguei envolto no tema e até mesmo interagindo junto com a platéia. É uma coisa absurda. Você se sente identificado com aquilo e se prende ainda mais à Matrix Profissional. Assistindo a famosa palestra do Godri pela primeira vez, pensei que o cara estava certo e o vi quase como um gênio. Ele usava analogias como a do funcionário gato e do funcionário cachorro para no final dizer que devemos ser o funcionário cachorro. Fazia comparações dizendo que o maior profissional foi Jesus Cristo. Eu ainda com as ilusões da Matrix Profissional ia me sentindo cada vez mais motivado a vestir a camisa da empresa em que trabalhasse, ser o melhor profissional, defender o nome da empresa.

Hoje, finalmente vejo como tudo isso é uma grande falácia. Toda essa encenação nas palestras do Goldri não passam de uma aplicação de técnicas de psicologia de massas. Estão cada vez mais aplicando técnicas similares às usadas pelos propagandistas nazistas para nos tornar fantoches da Matrix Profissional, para nos tornar escravos acomodados com um sub-emprego, para nos vender a ilusão da segurança do emprego medíocre de carteira assinada. Tentam da forma mais hipócrita possível uma lavagem cerebral nas pessoas para que elas vistam a camisa da empresa, enquanto a filosofia da mesma empresa é “ninguém é insubstituível”. Movem montanhas para colocar uma imagem humanizada da empresa no emocional do funcionário de forma que ele praticamente se sinta culpado por querer procurar oportunidades melhores, sendo que a própria empresa não pensa duas vezes antes de demití-lo por algum motivo banal.

Vemos a arrogância e até mesmo alguns traços de sociopatia nos entrevistadores e superiores da empresa com seus clichês de filmes, reality shows e livros de auto-ajuda escrito por pseudo-empresários picaretas que resolvem se passar por escritores. É algo tão caricato que chega a ser ridículo.

Veja esse pedaço da famosa palestra do Daniel Godri, onde ele fala sobre o empregado cachorro e o empregado gato.

A lavagem cerebral chegou a um nível tão absurdo que é falado abertamente e com todas as letras que devemos ser para nossa empresa como cachorros. Ele fala literalmente que mesmo após tomar um tapa devemos abanar o rabo. E o que acontece? Muitos fazem realmente isso. Mantém seus rabos balançando dentro de suas empresas só para depois chegarem em casa e descontar todas suas frustrações na família.

Ano passado participei de um processo seletivo tão longo que teve até treinamento antes da contratação. O treinador, que também era palestrante motivacional, se mostrou um perfeito canalha sociopata. Veja o vídeo abaixo:

Conheci este vídeo por volta de 2008 e me senti profundamente tocado. Nick Vujicic nasceu sem as pernas e sem os braços, mas superou sua deficiência e conseguiu não só alcançar uma vida independente, sendo capaz de realizar rotinas que dificilmente uma pessoa sem um dos membros conseguiria fazer, como também conseguiu sucesso profissional. Mas nada disso impressiona mais do que a alegria que ele demonstra em seus vídeos. Ao invés de se vitimizar, Nick usou sua condição para levar uma mensagem de esperança e otimismo para as pessoas. Ele não só é capaz de motivar as pessoas, como também demonstra sempre uma Fé inabalável em Deus e uma capacidade imensurável de ver a beleza da vida.

No processo de seleção o treinador demonstrou uma tremenda falha de caráter ao usar este vídeo como forma de atacar o emocional dos presentes ligando-os ainda mais fortemente à Matrix Profissional. Isso não é apenas uma questão de foco, mas uma exploração covarde da deficiencia de uma pessoa boa que dedicou sua vida transformando suas deficiências em ferramentas de esperança e bondade. O que o treinador fez é o eqüivalente a colocar uma criança para pedir esmolas na rua. Esses vídeos devem ser usados para transmitir esperança, altruísmo, Fé, inspiração. Não para acorrentar o homem ainda mais à seu trabalho e reforçar sua fidelidade com a empresa.

Vivemos uma escravidão

O dia tem 24 horas. Uma boa parte deste tempo passamos dormindo, sendo que o recomendável são 8 horas de sono por dia. Então temos na prática 16 horas por dia para vivermos. A maioria das pessoas passa 8 horas trabalhando. Junte isso com o horário do almoço que costuma variar entre 1 a 2 horas. Temos então 10 horas dedicadas ao trabalho, já que esses 2 horas do almoço não serão muito produtivas. Efetivamente nos sobra apenas 6 horas. Desconte 1 hora do trânsito na melhor das hipoteses (ida e volta) e mais 1 hora para se arrumar e tomar o café antes do trabalho e tomar um banho e comer algo depois do trabalho. Temos apenas 4 horas por dia para vivermos nossas próprias vidas.

É uma escravidão legalizada! O indivíduo hoje tem apenas 4 horas para cuidar de sua vida e de projetos pessoais. Se levarmos em conta que a maioria das pessoas não consegue esvaziar a mente das preocupações do trabalho e relaxar, veremos que essas 4 horas acabam sendo ainda menores e o pouco tempo restante se torna improdutivo.

Eu mesmo sou um exemplo disso. Comecei a escrever este artigo no início da semana passada e ainda não fui capaz de terminá-lo. Também não estou conseguindo me dedicar como deveria à serie de artigos Programa de Treino Galacta Homem (tanto que decidi que iria voltar a escrevê-la assim que este artigo for publicado). Fora isso tenho uma lista de livros que já deveria ter terminado, mas ainda não cheguei à metade. Também não consegui começar trabalhar no livro que pretendo escrever. E meu outro blog, assim como este, já não recebe posts novos há mais de 2 semanas. Os leitores que me conhecem a mais tempo sabem que um de meus maiores objetivos é aumentar as rendas de meus blogs ao ponto de poder fazer disso meu emprego. É um projeto pessoal que acabou ficando para trás devido à escravização profissional.

Claro, devemos lutar contra isso e, por menor que seja o tempo livre, fazer o possível para mantermos o foco em nossas metas (tanto que continuo aqui escrevendo, mesmo que a passos lentos). Isso acontece com a maioria das pessoas que não apenas acabam desistindo de seus projetos, mas também de sua vida pessoal e familiar. É um esforço que pode até ser pequeno, mas muitas vezes parece gigantesco. Por exemplo, para manter meu treinamento sincronizado com meus artigos no Programa de Treino Galacta Homem, acordo todos os dias às 5 da manhã, faço o meu treino de Tensão Dinâmica, corro na rua por uns 30 minutos, tomo um banho, cozinho vários ovos para manter a dieta e poder continuar comendo de 3 em 3 horas e preparo as coisas para ir para a musculação assim que saio do trabalho. Se der tempo tomo uma sauna e quando chego em casa faço o treino da noite de Tensão Dinâmica. Aí sim tomo um banho e tento escrever um artigo ou manter minha leitura em dia. Aproveito o tempo que levo para ir e voltar do trabalho, seja de carro ou quando resolvo ir a pé, para cuidar de meu desenvolvimento intelectual ouvindo o podcast True Outspeak do Olavo de Carvalho. Também deixo em meu celular PDFs e EPUBs de livros como “Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo”, “O Livro Negro do Comunismo”, “O Movimento Homossexual” e “O Imbecil Coletivo” para não perder nenhum segundo do tempo livre que aparecer.

Mas é necessário um esforço quase sobrenatural para me manter motivado. Tenho que manter minha mente em constante alerta e repetir para mim mesmo que se eu desanimar vou acabar acomodado nesta condição e jamais poderei crescer verdadeiramente.

Vamos ser honestos. O ser humano não foi criado para isso. Não somos máquinas programadas para gerar lucro para terceiros. Mais do que um crime, esse tempo roubado do indivíduo é um pecado. Um assassinato à prestações. E o pior é que por mais que sejamos sugados e por mais que nossas vidas sejam trocadas pelo lucro de um desconhecido, na maioria das vezes o salário mal é suficiente para sobreviver. A realidade do homem comum é viver uma vida medíocre sendo sugado dia após dia, entregando todas as gotas de seu sangue e toda sua saúde para simplesmente pagar porcamente as contas e comprar um carro popular em 60 vezes. E o pior é que essa escravidão é celebrada, vista como contribuição para a sociedade, como algo bonito, como seriedade e maturidade. Tudo isso ao mesmo tempo em que vemos a qualidade de vida e felicidade do indivíduo caindo.

A Matrix Profissional e o Marxismo Cultural

As pessoas falham em perceber as ligações entre a Matrix Profissional e o Marxismo Cultural. Ainda estão vivendo os devaneios passados por seus professores esquerdistas. Veja bem que o Marxismo Cultural nada tem a ver com aquele modelo socialista comentado nas aulas de História. Todo esse papo de igualdade social é balela pura. Desde o início, o marxismo usa a “igualdade social” como uma desculpa para o acúmulo de poderes. Qualquer leitor um pouco mais esclarecido é capaz de perceber que a igualdade entre classes que o marxismo tanto prega nada mais é do uma nação onde todas as classes são miseráveis.

O matrixianismo profissional é amplamente difundido e incentivado pelo marxismo, pois a alienação do homem é um dos maiores objetivos da esquerda. O homem apenas trabalha para pagar suas contas e sonhar em usar o pouco que lhe resta do salário para realizar seus desejos consumistas. O indivíduo passa a viver no limite e na preocupação e com isso se desgasta, se permitindo perder o foco em qualquer outra área. Ao ter seu tempo livre esmagado brutalmente pelo trabalho, o indivíduo vê-se desmotivado e impedido de qualquer investimento em sua evolução pessoal e em seus projetos. O pouco que restar não será dispendido em estudos, criações ou reflexões, mas sim consumindo programas medíocres como novelas, Big Brother Brasil, Faustão e qualquer outro lixo da mídia. Isso não só serve para deixar o homem alienado, como também para moldá-lo de acordo com os interesses da elite globalista.

Um homem incapaz de refletir é o fantoche perfeito. Fácil de ser moldado pela cartilha do politicamente correto imposta pela esquerda. Ele se torna não somente incapaz de pensar por si próprio e completamente sugestionável, mas também cada vez mais comodista e passa a aceitar qualquer tipo de situação que lhe seja imposta, chegando até mesmo a abraçar sua própria mediocridade. Tudo isso permite a imposição de leis absurdas e o avanço da agenda marxista, já que o homem comum irá ignorar qualquer cerceamento de suas liberdades por pensar que tem coisas mais importantes para se preocupar (o emprego e as contas).

“Ei homem trabalhador, tal como seu trabalho está te consumindo, suas contas estão consumindo seu dinheiro pelos custos que você incorreu”

Um dos maiores avanços da agenda marxista na matrix profissional foi conseguido por aquela que é provavelmente sua maior e mais subversiva e destruidora criação, o feminismo. Com suas mentiras e desculpas vitimistas, o feminismo conseguiu jogar as mulheres na Matrix Profissional, levando-as à infelicidade e depressão, além de conseguir com isso uma maior desestruturação da família e da própria dinâmica dos empregos.

Ao incitar as mulheres abandonar família e filhos para se dedicar a suas carreiras, o feminismo conseguiu não só impedir a participação dos pais na vida dos filhos, como também conseguiu fazer com que o número de trabalhadores dobrassem. Esse aumento absurdo no número de trabalhadores fez com que os ofertas de emprego caíssem, o que permitiu que as empresas diminuissem o salário e os benefícios de seus funcionários e aumentassem as já insanas exigências para contratação além do número de horas. Isso é o básico da lei de oferta e procura. Quanto mais pessoas precisando de empregos, menos as empresas precisam entregar e mais podem exigir. Sempre terá um para aceitar a escravidão que o outro não aceitou. No passado, as mulheres poderiam dedicar seu tempo à educação das crianças e aos deveres domésticos, além de serem melhores esposas e mais felizes. Os homens trabalhavam menos e ganhavam o suficiente para sozinhos manter a família e o lar.

Hoje, ambos trabalham feito condenados e mal conseguem pagar as contas. Não tem tempo para os filhos que acabam sendo educados pela mídia e pelo estado. O próprio estresse do trabalho afasta não apenas os pais de seus filhos, como também afasta marido e mulher, o que ajuda a aumentar as taxas de divórcio. Famílias se quebram e seguem desestruturadas ou se separam. Esse é um dos objetivos do marxismo cultural. Acabar com a família para que o indivíduo, na falta da segurança familiar, só possa voltar seus olhos para o Estado, que passará a ser visto como o único patriarca.

O matrixiano profissional é uma pessoa vazia

Os matrixianos profissionais, em sua esmagadora maioria, chegam a um ponto onde se tornam incapazes de viver sem o ambiente de trabalho. Toda sua individualidade é enfraquecida enquanto uma espécie de coletivismo profissional é reforçado. Não conseguem se imaginar fora daquele círculo. É comum casos de pessoas que entram em depressão após a aposentadoria. Já acompanhei de perto alguns casos onde o funcionário se aposenta e passa a visitar o antigo emprego regularmente. Lembro-me de um em particular que mesmo podendo aposentar com um salário eqüivalente ao que recebia trabalhando, ou mesmo maior, fez o possível para adiar em alguns anos sua aposentadoria.

O texto Workaholic - O homem escravizado, doente e atolado na Matrix Profissional, mostra claramente o perfil do matrixiano profissional. Deixo aqui um trecho do artigo:

“Os workaholics são pessoas dependentes do seu trabalho. Praticamente, não conseguem fazer nada na vida a não ser trabalhar e, quando estão com a família, ou no lazer e na vida social, podem se mostrar irritados e até mesmo, desenvolver manifestações depressivas, pois são pessoas incapacitadas para usufruir seu tempo livre, em geral porque levam dentro de si um nível de ansiedade muito intenso e se acostumaram a conviver com o estresse utilizando o trabalho como válvula de escape.”

Como podemos ver, essas pessoas são vazias. São incapazes de suportar a companhia de si mesmas. Como indivíduos não tem sonhos, projetos, idéias ou interesses. Tudo para eles gira em torno de seu mundinho profissional. Se tirarmos o emprego destas pessoas, elas não terão mais nada. As coisas chegaram a um ponto onde muitos não trabalham pelo dinheiro, mas por terem no trabalho o único sentido de suas vidas infelizes. Matrixianos profissionais não tem interesses, desejos ou mesmo opiniões. Toda sua essência não só foi moldada, como também foi completamente reconstruída pela Matrix Profissional.

Ainda pretendo escrever um post dando dicas de como sobreviver à Matrix Profissional sem perder o foco em seus interesses, objetivos e família. Por enquanto, deixo o vídeo abaixo que sempre serviu de motivação quando o trabalho estava um saco e precisava chutar um pouco o balde:

Aproveito para recomendar o filme “Office Space” (em português “Como Enlouquecer Seu Chefe“) de onde foi tirado este vídeo. Este filme mostra bem a rotina de uma empresa que desvaloriza e suga seus funcionários, além de mostrar como o personagem principal se livra da Matrix Profissional após uma estranha sessão de hipnose e passa a chutar o balde em relação a seu trabalho e não só não é demitido, como também passa a ser supervalorizado dentro da empresa e até consegue um aumento. Um verdadeiro tapa na cara dos palestrantes motivacionais, pseudo-empresários e outros picaretas agentes da Matrix Profissional.

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