Harlem Globetrotters no Brasil

Posted by: Mylfa Flamet  :  Category: Esporte

Arquivo/AE

Segundo quarto de jogo; o armador corre com a bola em direção à cesta e, de repente, quando já se aproximava do garrafão, um susto: sua roupa foi arrancada pelo adversário e ele agora está seminu diante de milhares de torcedores.

A cena, inusitada, impressionaria se não tivesse acontecido em uma partida da lendária equipe de basquete americana Harlem Globetrotters, que fez algumas exibições no Brasil, duas delas no último fim de semana no Maracanãzinho, no Rio de Janeiro.

A equipe, criada em 1926 com o nome de Savoy Big Five e com o pretexto de ser um time comum, começou a ganhar fama quando, quatro anos depois, já com o nome de Harlem Globetrotters, passou a viajar os Estados Unidos mostrando um jeito diferente de jogar basquete.

A inclusão do nome do famoso bairro americano, reduto dos negros em Nova York, foi para destacar o fato de o time não ter jogadores brancos. Apesar disso, os Globetrotters só jogou no Harlem 41 anos depois de sua fundação, em 1968.

Em 82 anos de carreira, o Harlem Globetrotters alcançou picos de popularidade, a ponto de, em 1970, virar desenho animado da Hanna-Barbera, que, nove anos, lançou uma nova versão da série com o nome de “Os Super Globetrotters”.

Entre os grandes nomes que passaram pela equipe está Wilt Chamberlain, que antes de fazer história na NBA como um dos maiores jogadores de todos os tempos, jogou durante um ano pelos Globetrotters, na época com o nome de Wilt “The Stilt” Chamberlain.

No Brasil, onde este mês também disputou partidas em cidades como São Paulo e Porto Alegre, os Globetrotters estiveram pela primeira vez em 1951, quando também fez uma exibição no Maracanãzinho. Os números sobre a quantidade de pessoas presentes à partida dessa apresentação são conflitantes, mas é certo que pelo menos 50 mil foram ver os americanos no Rio de Janeiro.

Já nas apresentações do time no último final de semana, não faltou irreverência. Além de exibirem jogadas mirabolantes, os jogadores foram muito simpáticos com o público, atitude que, como dizem os próprios Globetrotters, é fundamental para manter o carisma da equipe. “É importante para gente estar ligado com cada uma das pessoas que estão aqui. Quando viajamos, tentamos aprender sobre as diferentes culturas e aprendemos a melhor forma de estabelecer uma relação com a platéia”, disse Handles Franklin, um dos que mais mostrou habilidade com a bola.

Em um momento do jogo, Handles chamou cinco crianças da arquibancada e as desafiou a tirar a bola dele. Depois, presenteou-as com munhequeiras com a marca dos Globetrotters.

A interação com o público nas arquibancadas é o ponto forte dos americanos. Durante toda a exibição, eles procuram fazer o público interagir com o time. Segundo eles, isso ficou ainda mais fácil no Brasil, onde o público foi bastante receptivo às brincadeiras. “É minha primeira vez aqui no Brasil e tem sido maravilhoso. As pessoas têm sido muito legais com a gente. Espero poder voltar aqui no ano que vem”, disse à Efe Special K Daley após a exibição de sábado no Maracanãzinho.

Os Globetrotters contam com um elenco de 30 jogadores que se revezam entre as muitas viagens que o time faz. Para o Brasil, vieram dez, além do Washington Generals, a equipe adversária, que mais do que um freguês de carteirinha, dá suporte às verdadeiras estrelas do espetáculo.

Os placares sempre folgados – no sábado, foi de 73 a 48, por exemplo – não importam, já que, como dizem os próprios jogadores, o papel deles é divertir. “Jogar pelos Globetrotters não tem a ver com vencer ou perder, e, sim, com alegrar as pessoas. Eu realmente não ligo para o placar, eu quero vir aqui me divertir e alegrar os outros”, disse Special K enquanto dava autógrafos para os brasileiros após a exibição no Rio de Janeiro.

Para o Globetrotter Hollywood Turner, seu time desempenha um papel importante ao divulgar o esporte de uma forma diferente por diferentes partes do mundo. “Você não vê times da NBA vindo ao Brasil. O jogo dos Globetrotters é uma forma de mostrar que é possível se divertir jogando e de mostrar um pouco do basquete americano aos brasileiros”, disse Hollywood, que atribui o apelido ao fato de ter nascido “para o entretenimento” e que encontrou nos Globetrotters a melhor maneira de mostrar isso.

Os jogadores dos Globetrotters já visitaram mais de 100 países dos cinco continentes, nos quais tiveram encontros com personalidades de todas as áreas. Em 1979, por exemplo, o então primeiro-ministro da China Deng Xiaoping, quando foi visitar os EUA, pediu para se encontrar com o lendário time de basquete americano.

Os Globetrotters fizeram uma exibição especial para o líder chinês que foi transmitida para quase um bilhão de pessoas ma China. Os americanos do time também já foram recebidos por quatro papas.

Em 1951 e 1952, se encontraram com o papa Pio XII; em 1959 e 1963, estiveram com João XIII; em 1968, conheceram Paulo XI, e, em 2000, foram recepcionados por João Paulo II, que recebeu o título de Globetrotter honorário.

Em 1982, o Harlem Globetrotters se tornou o único time de basquete a colocar seu nome na calçada da fama. Uma justa homenagem a uma equipe que, em 82 anos de história, mais do que jogar basquete, se dedica a divertir as pessoas com verdadeiros shows.

Fonte: estadão

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